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Ajude um Repórter: os bastidores da democratização do relacionamento com a imprensa

6 out

A missão, ou trabalho final, tanto faz, da matéria Design Informacional  do curso de especialização em Jornalismo Multimídia, era fazer um making of de algum projeto jornalístico ou multimídia que me chamou a atenção. Então, decidi que seria o Ajude um Repórter, que apesar de um sistema simples, neste começo de vida profissional me salvou diversas vezes.
Gustavo Carneiro, o idealizador de tudo, na verdade é um relações públicas e não um jornalista como a maioria pensa. E a ideia de tudo começou como um experimento jornalístico quando ele retornou ao Brasil após dois anos fora, a partir do conceito de crowdsourcing.

[Crowdsourcing trabalha com o modelo de produção que utiliza conhecimentos coletivos e voluntários para chegar a uma solução.]

O projeto
Sem verbas, a maneira mais fácil e rápida para começar o projeto foi criando uma conta no Twitter, então o jornalista atrás de um personagem ou fonte, e uma fonte atrás de alguém para contar a sua história, divulgavam o interesse na rede social. Esta por sua vez, multiplicava a visibilidade através de seus seguidores, “retwitando” o pedido.

“Trazemos ao repórter exatamente o que ele precisa, no momento em que ele precisa. (…) Chega de releases que não têm nada a ver com aquela última pauta que está para fechar!”. Criado em 5 de março de 2010, com estes argumentos, em apenas 10 meses o “Ajude um Repórter” chegou aos 9 mil seguidores e colaboradores.

Ampliando
Desde o começo, Gustavo já tinha a ideia realizar algo mais amplo do que uma conta no Twitter. “Essa já era uma ideia desde o princípio, já que é bastante complicado gerar receita para sustentar o serviço baseando tudo no Twitter, para um público de nicho.”, diz Carneiro.
Então, utilizando outro serviço de crowdsourcing, o Catarse, conseguiu arrecadar 15 mil reais, além de 20 mil reais próprio, para investir em uma plataforma que abre espaço para propor outras soluções de relacionamento e experimentar modelos que permitam manter o trabalho ativo.

Ajude um Repórter from Gustavo Carneiro on Vimeo.

“A administração do serviço é trabalho de uma pessoa só. Toco isso sozinho desde o princípio, mas ainda espero encontrar pessoas para compartilhar isso e contribuir para o crescimento.”, conta Carneiro.

Em pouco mais de um mês, após a inauguração da plataforma, o “Ajude um Repórter” teve mais de 3 mil cadastrados, entre jornalistas e fontes. “Mas é preciso dar continuidade ao desenvolvimento e crescer bastante a base de usuários para que tenhamos algo sustentável.”, adverte Carneiro.

O “Ajude um repórter” ainda não traz retorno financeiro para Gustavo, que toca tudo sozinho, contando apenas com serviços terceirizados na parte de tecnologia do site. “Para o futuro espero que essa nova etapa [do projeto] traga a sustentabilidade necessária para continuar entregando o resultado que os usuários esperam. Não tem como pensarmos em continuar um serviço assim, por mais útil que ele seja, se não pudermos pagar as contas no fim do mês.”, desabafa.

“O Ajude um Repórter é um projeto que nasceu no Twitter de uma forma muito simples e quase sem investimento, mas que consegue entregar valor para jornalistas e fontes todos os dias sem cobrar absolutamente nada por isso. Quando alguma coisa dá errado, os usuários percebem e reclamam. Quando falhamos, o feedback é imediato. Já estamos no ar há mais de 18 meses e sem todas as pessoas participando, nada disso seria possível. A utilidade do que fazemos é inegável e sabemos disso porque a comunidade nos diz. Contamos com todos para continuar esse trabalho.”

(Gustavo Carneiro)

 

 

por Noelle Marques

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