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A máquina de lavar e seus contratempos

12 out

Olá pessoal, sei que faz muito tempo que não escrevo, mas é porque as coisas estão um tanto quanto corridas aqui no outro hemisfério, mas estou fazendo o possível para colocar tudo em dia novamente. O texto abaixo foi criado por um dos meus companheiros de apê, sobre um episódio de nossas vidas:

“Não raramente, aquelas pessoas pouco importantes, como o menininho dos diques holandeses e seu dedo indicador, podem mostrar-se muito úteis na contenção de grandes desastres. Raro são aquelas peças metálicas pouco importantes fazerem questão de impor a relevância de sua existência causando outros grandes desastres.
Tudo começou no dia em que, ao invés de continuar fechada como mandava o manual, a porta da máquina de lavar roupa resolveu causar. E causou uma enorme enxurrada (entenda-se que estamos a falar de uma máquina de lavar cujo óculo se encontra na lateral, e não no tampo, como bem poderia querer o manual…).
Uma das desvantagem de morar em uma construção de 1500 d.C. está no fato das juntas já estarem um pouco danificadas… isso porque depois da tal enxurrada, veio a mulher do andar de baixo reclamar que havia água a cair do teto bem acima das panelas do almoço.
A sorte foi o operador estar logo à frente da porta no momento em que abriu, fato que não se repetiu dois dias depois, quando o homem do 2º esquerdo, provável marido da mulher de dois dias antes, nos bateu à porta logo que chegamos. Pois, um outro morador, desavisado pelo operador anterior, havia ligado a máquina e saído.
Depois de duas enxurradas, nos restou a vergonha e a decisão de comprar ao casal do apartamento 2º esquerdo um bom vinho. E lá fomos nós. O problema a seguir se deu pelo fato de nunca estarem em casa o tal casal. E foi só em uma segunda feira, às dez e vinte da noite, que conseguimos resposta da mulher, que estava a dormir. Que é que queremos? Desculpe-nos pela hora, senhora, mas gostaríamos de oferecer esse vinho como um pedido de desculpas pelos problemas em relação à água. Disse que não poderia abrir a porta, então deixamos a garrafa, muito bem embalada, à soleira.
No dia seguinte, depois da perseguição ao gato instruso do 3º direito por um bom tempo, foi ter à porta a mulher do 2º esquerdo a reclamar do barulho. Desculpe-nos, senhora, estavamos a perseguir o gato, mas isso não se repetirá, recebeste nosso vinho? Disse que sim e agradeceu.
E já teria esse relato uma boa dose do inusitado se terminasse tal qual o parágrafo acima. O que se seguiu, porém, foi, nas escadarias, a cara de interrogação do homem do segundo esquerdo ao perguntarmos a ele se havia gostado do vinho. Vinho? Sim, o senhor o deve tê-lo recebido, o deixamos à soleira de sua porta, aqui. Quando apontamos à soleira da porta do segundo esquerdo, o homem logo explicou que morava era no 2º direito e o fato da sua cozinha estar logo abaixo da nossa, do terceiro esquerdo, devia-se ao fato de tempos atrás ter havido uma reforma no edifício.

Ou seja, demos o vinho pra casa errada. A mulher do gato, que nada tinha a ver com a enxurrada saiu ganhando um bom vinho e, de quebra, descobrimos que temos dois vizinhos de baixo para enfernizar a vida…”

Crônica por David K. Marzagão

Post de Vemado

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